Crachá

Mario Ulbrich

Crachá

Jorge há tempos cobiçava sua secretária. Coxas magníficas, bunda perfeita e um rostinho de menina Seus olhos, azuis profundos, indescritíveis, sempre o miravam como um convite em aberto. Sabia do desejo recíproco de Quitéria.
Havia um porém: trabalhavam em uma empresa austera quanto a estes aspectos. Um caso entre chefia e secretaria determinaria severa punição aos dois. Havia também um outro senão: seu superior direto desconfiava da troca de olhares entre eles e estava sempre espionando pelos cantos. Finalmente, o maior dos inconvenientes: Jorge era casado e sua mulher ciumenta e desconfiada!
Embora as dificuldades quase que insuperáveis, mantinham a expectativa de que um dia qualquer as coisas aconteceriam. E de fato, para a surpresa de Jorge, sua mulher anunciou que iria visitar a mãe adoentada, moradora de uma cidade próxima e que voltaria somente dois ou três dias depois.
Jorge passou o dia agitado sem maior concentração no trabalho, fato que despertou a atenção do seu superior, que se colocou de “orelhas em pé”! Jorge sabia que outra oportunidade, somente em uma outra vida. Certamente iria faltar tempo para saciar tanto desejo reprimido.
Quitéria ao final do expediente, pegou seu carro estacionado no pátio da empresa e dirigindo por caminhos alternativos ao seus usuais, estacionou o veículo num local pré-escolhido e aguardou no carro. O local era bastante distante de sua casa, seus vizinhos e principalmente do escritório.
Jorge deu um tempo e saiu cerca de dez minutos após. Dirigiu diretamente para casa, estacionou o carro na garagem e pulando a cerca baixa do pátio, ganhou a pé a ruazinha dos fundos, totalmente deserta. Caminhando exatas quatro quadras, encontrou Quitéria e tomou assento ao volante do carro dela, dirigindo-o para um motel situado em uma área deserta nos limites da pequena cidade.
Chegando ao motel, não perderam tempo algum com preliminares. Simplesmente tiraram as roupas e jogaram-se na cama abraçados. Foi uma noite excepcional. Quitéria era de fato tudo aquilo que Jorge sonhava. Jorge era um homem em boa forma e com suficiente experiência para manter acesa a relação à noite inteira.
Quando as luzes do dia iluminaram o quarto, encontraram o casal de amantes adormecidos, estirados na cama. Quitéria foi a primeira a acordar.
- Socorro! Acorda Jorge! Estamos atrasados. Já devíamos estar no escritório. Põe a roupa e vai; teu chefe deve estar à tua espera. Irá também cobrar meu atraso. Pede um Taxi. Eu vou demorar-me um pouco mais para não chegarmos juntos. Diz que me liberasses para serviço externo.
Jorge nem passou em casa. Foi direto para a empresa e já na chegada encontrou seu Superior.
- Onde andavas Jorge? Estou te procurando há mais de meia hora!
- Desculpe chefia, tive alguns contratempos e me atrasei. Depois compenso as horas perdidas.
- Contratempos já de manhã cedo?
- Minha mulher viajou para passar a noite com a mãe doente, quase coloquei fogo na casa operando de forma errada a torradeira e para finalizar, o carro estragou.
- Ah, bem! Mas me diga, sua secretária também se atrasou?
- Ah, não! Eu a dispensei para realizar algumas tarefas externas. Deve estar chegando daqui a um pouco mais. Olha! Na verdade já acabou de chegar, Vê?
- Sim, tem razão. Tudo bem explicado a menos de um intrigante detalhe.
- E qual seria este detalhe?
- O que justifica o Senhor estar utilizando o crachá da Srta. Quitéria ao invés do seu?

 

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