A Primeira Fotografia

Mario Ulbrich


Em uma determinada época fui fotógrafo amador. Praticante da arte fotográfica. Não me refiro a fotos com câmeras automáticas, muito menos ao uso de câmeras em celulares e armazenamento das fotos em arquivos digitais. Utilizava máquinas de qualidade, porém totalmente manuais.
Comprava o filme, fotografava, revelava o negativo. Depois, a impressão da imagem no papel fotográfico utilizando um ampliador. Finalmente a revelação do papel, sua fixação e a montagem da cópia ampliada. Fazia por hobby, enviando as fotos para concursos fotográficos em salões nacionais e internacionais. Era um passatempo que ocupava as horas de lazer dos finais de semana.
Os filhos ainda pequenos acompanhavam curiosos toda a movimentação. Curtiam as fotos e opinavam sobre a qualidade dos trabalhos. Ainda era cedo para matricular o mais velho em um dos cursos promovidos pelo Foto cine Clube Gaúcho onde eu era jurado, professor e artista. Mas diante da insistência do pirralho, adquiri e o presenteei com a sua primeira câmera fotográfica. Era uma Kodak rústica, com lentes de plástico.
Transmiti a ele os primeiros ensinamentos básicos:
- Olha no visor, enquadra o que vai ser fotografado e aperta o botão do disparador. Não fotografa contra a luz.
O garoto fascinado convidou a sua avó para posar no retrato.
Tomando distância, ele olhou pelo visor e enquadrou sua modelo. Ficou um momento paralisado, observando. Sem apertar o disparador afastou a câmera do rosto e perguntou ingenuamente:
- Vó, tu preferes sair na foto sem a cabeça ou sem os pés?

 

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